Governo acelera testes para nova composição de combustível, mas
especialistas alertam sobre riscos a frota brasileira

O que o governo quer fazer (e por quê)


Desde 1º de agosto, circula a gasolina E32 — uma mistura com 32% de etanol. Agora, o Ministério de Minas e
Energia está se preparando para experimentar uma fórmula ainda mais concentrada, com 35% do
biocombustível, a E35.


A justificativa oficial é dupla:

  1. Econômica: Reduzir dependência de petróleo importado em um momento de instabilidade geopolítica
  2. Ambiental: A Lei do Combustível do Futuro (14.993/24) busca aumentar o uso de fontes renováveis e reduzir
    as emissões no setor de transportes
    Mas há um detalhe importante: o que surgiu como meta ambiental tornou-se uma discussão sobre preços. A
    mudança não é apenas verde — é também uma estratégia econômica.

O grande problema: A frota brasileira é velha

Aqui está o nó da questão. Para carros antigos, com motores não preparados para receber esse teor de
combustível vegetal, a situação será mais delicada.
E o Brasil tem muitos carros antigos. Muito mesmo. Segundo dados do Denatran, a idade média da frota
nacional é de 10 anos — e há milhões circulando com 15, 20, até 30 anos nas ruas

O risco é real:

  • Corrosão interna: O etanol em alta concentração corrói vedações, tubos e componentes do sistema de
    combustível em motores não preparados
  • Depósitos de carbono: Acúmulo de resíduos em válvulas e câmaras de combustão
  • Problemas com catalisadores: Especialmente em carros mais antigos
  • Desgaste acelerado de componentes: Bomba de gasolina, injetores, sondas lambda

O que mostram os testes anteriores?

No caso do E30, que chegou aos postos em agosto de 2025, os testes foram conduzidos pelo IMT. Carros a
gasolina de diferentes anos foram avaliados, e os relatórios mostraram poucas falhas de funcionamento. Houve
mais problemas entre as motocicletas, como dificuldades na hora de ligar o motor.
O problema? Os testes foram superficiais. Para especialistas do setor, as análises anteriores não foram
avaliadas com a profundidade necessária antes do uso da E32

E os supercarros importados? Vão ficar de fora

Aqui há uma questão delicada que ninguém fala muito sobre: carros importados, especialmente modelos
premium e supercarros, não são compatíveis com E32, quanto mais com E35.
Fabricantes como Ferrari, Lamborghini, Porsche, Mercedes e BMW especificam combustíveis com baixíssimo
teor de etanol — geralmente 5-10%. Os motores de alta performance desses veículos não toleram bem
combustíveis com mais álcool.

A consequência? Proprietários de carros importados caros terão que:

  • Importar combustível especial
  • Pagar prêmios absurdos em bombas premium
  • Arriscar multas por uso de combustível não autorizado
  • Perder garantia do veículo

Isso cria uma situação injusta onde apenas quem pode pagar por combustível importado usa o carro com
confiança. Os demais? Ficam na mão

A promessa de economia que não vem

O governo prometeu que mais etanol reduziria o preço da gasolina. Mas cadê a redução?
Embora a maior proporção de biocombustível vise reduzir os custos de produção, a transição recente para a E32
demonstrou variação de apenas dois centavos.
Dois centavos. Enquanto isso, proprietários de carros antigos podem ter despesas significativas com
manutenção.

O aviso que ninguém deu

Existe um detalhe importante: o Ministério Público Federal (MPF) pediu na Justiça a suspensão cautelar do
aumento obrigatório de etanol anidro na gasolina. Foi alegado pelo órgão que os estudos técnicos ainda não
dariam segurança sobre o aumento da mistura.

Ou seja, nem o MPF acredita que os testes foram suficientes.

O cronograma acelerado levanta suspeitas

Os testes devem começar em setembro, e estão sendo discutidos os critérios que serão adotados.
Espera aí: Os critérios ainda estão sendo discutidos? Isso não é preocupante? Em um processo científico sério,
você define os critérios antes dos testes, não durante.

O que você deve fazer agora?

Se você tem carro flex: Fique tranquilo, mas monitore o consumo
Se você tem carro a gasolina com mais de 10 anos:

  • Leve para um mecânico de confiança ANTES da mudança para E35
  • Faça uma limpeza do sistema de combustível
  • Considere trocar peças preventivamente (filtro, sonda lambda)
  • Documente o estado do carro
    Se você tem carro importado:
  • Verifique as especificações do fabricante
  • Considere terceirizar o combustível ou buscar alternativas legais
  • Documente tudo

A pergunta que fica

O governo estava realmente preparado para elevar o etanol na gasolina? Ou está acelerando um processo que
deveria ser mais lento e cuidadoso apenas para resolver um problema de curto prazo na economia?


As respostas ainda não estão claras. E a frota brasileira — velha, diversa, e frequentemente negligenciada em
manutenção — pode pagar o preço.


Fique atento. Fique cético. E, principalmente, cuide do seu carro.

Garagem BP News — Combustível, carros e desconfiança saudável
Qual é sua preocupação com o E35? Deixa nos comentários.

Fontes consultadas

  • O Tempo — Governo prepara testes da gasolina E35 após polêmica com E32. 18/09/2026.
  • DOL – Diário Online — Governo autoriza início de testes de gasolina com 35% de etanol. 18/09/2026.
  • DOL – Diário Online — Governo prepara testes para gasolina com mais de etanol. 17/09/2026.
  • Folha Vitória — Governo avança nos testes da gasolina com 35% de etanol.
  • Auto Ranking — Gasolina E35: governo prepara testes com 35% de etanol no Brasil.
  • Brasil em Folhas — Governo prepara testes para elevar etanol na gasolina para 35%.
  • Brasil 247 — Governo prepara testes para elevar mistura de etanol na gasolina a 35%.
  • Contrafatos — Governo quer enfiar 35% de etanol na gasolina sem ter testado direito nem os 32% atuais.

Documentos e instituições de referência: Ministério de Minas e Energia (MME), Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), Agência Nacional do Petróleo (ANP), Tribunal de Contas da União (TCU) e Ministério Público Federal (MPF).

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