Kether van Prehn Arruda é o campeão brasileiro de arquearia montada. Em 2026, ele viajará à China com todas as despesas pagas pelo governo chinês para representar o país em torneio internacional. Sua trajetória revela como uma modalidade pouco conhecida está crescendo exponencialmente no Brasil. Kether e sua fivela conquistada em Tennessee – EUA Kether representando o Brasil nos EUA O esporte que poucos conhecem, mas muitos podem praticar Imagine um arqueiro disparando sua flecha — mas não em pé, em um alvo estático. Imagine ele em um cavalo galopando. A precisão, o equilíbrio, a conexão com o animal, tudo acontecendo em movimento. Essa é a arquearia montada. Não é cinema. Não é ficção histórica. É um esporte real, regulamentado internacionalmente, que cresce de forma acelerada nos últimos anos. E em 2026, o Brasil será representado na China International Horseback Archery Masters Tournament por três atletas. Um deles é Kether Arruda van Prehn, 53 anos, campeão brasileiro de arquearia montada em 2025. Um atleta em ascensão A trajetória de Kether van Prehn Arruda em arquearia montada é recente, mas intensiva. Terceiro colocado no Campeonato Mundial (categoria master) em 2024/2025. Quinto lugar em competição europeia aberta na França. E agora, selecionado para representar o Brasil na China — porque o Brasil é oficialmente reconhecido como um polo de arquearia montada pela Federação Internacional (IHAA — International Horseback Archery Alliance). “Pensa num esporte que dá oportunidade assim? Tá numa ascensão muito grande”, comenta Kether, quando questionado sobre o convite para a China. Mas o que torna sua história ainda mais interessante é que ele não apenas compete — ele também é um dos fundadores da estrutura que levou a arquearia montada ao reconhecimento internacional no Brasil. equipe que representou o Brasil nos EUA – também tinha mais um Bragantino , Tiago Arico a direita da foto. Por que arquearia montada ganhou Kether Kether não chegou à arquearia montada por acaso. Seu histórico de esportes equestres é vasto: salto, adestramento, equitação de trabalho, indoor. Pratica esporte competitivo desde sempre. Mas quando encontrou a arquearia montada, encontrou algo diferente. “É um esporte que eu acho que é um dos mais justos pro cavalo. A parceria entre pessoas e cavalos é diferente”, afirma com convicção. E essa justiça é estrutural na modalidade. Na arquearia montada, o cavalo não precisa ser um animal de valor exorbitante. Diferente de outras competições equestres de alto nível, onde a qualidade do animal determina largamente o resultado, aqui o diferencial é outro. “O cavalo não precisa ser caríssimo. O que a gente pede pro cavalo é simples pra ele. A gente não pede uma coisa mirabolante — é uma troca justa. É fácil pra ele fazer. E a maior parte do desafio é de quem tá montado”, detalha Kether. Isso significa que o cavaleiro — não o cavalo — é responsável pela performance. Se há alguém convidando o animal para fazer um esporte, aquele que monta é quem deve se esforçar para ser melhor que seu concorrente. É uma equação simples, mas revolucionária em esportes equestres. A idade como vantagem Kether compete na categoria master — para cavaleiros acima de 50 anos. E é exatamente nessa categoria que a arquearia montada revela uma singularidade praticamente inexistente em outras modalidades esportivas. “Dentro do cavalo não tem ‘atletismo’. Um cara de 50 nunca vai concorrer com um de 30, 20, né?”, explica. “Mas no cavalo a força tá lá. Mesmo que eu não tenha a força de 18, 20 anos, minha cabeça, minha experiência e a força do cavalo fica potente.” Nas Olimpíadas de salto e adestramento — modalidades equestres tradicionais — atletas com 70 anos competem regularmente entre os melhores do mundo. O cavalo não envelhece com o cavaleiro. O cavalo potencializa. É por isso que Kether ficou feliz com seu terceiro lugar no Mundial, na categoria master, ao lado de cavaleiros com décadas a mais de experiência. “Tá numa ascensão muito grande”, repete, com o mesmo brilho nos olhos. O crescimento de uma modalidade A arquearia montada não é nova. Historicamente, é uma prática ancestral. Mas como esporte regulamentado e federado internacionalmente, é recente. A Federação Internacional de Arquearia Montada (IHA) existe e reconhece polos em diversos países. O Brasil, oficialmente, é um deles. Tudo começou em 2023, quando atletas e cavaleiros fundaram a Arquearia Montada Brasil (AMB). A associação se filiou à federação internacional e começou a organizar campeonatos estaduais e brasileiros. “A gente fundou aqui, em um evento nacional que a gente fez. E aí a gente tá oficialmente no mundo reconhecido como um polo — o Brasil é um polo de arquearia montada”, explica Kether. Desde então, a modalidade vem crescendo. Campeonatos acontecem regularmente. Mais atletas se filiam. A visibilidade aumenta. Por que Bragança é central nessa história Quando Kether fala sobre Bragança, há algo específico em sua voz. Não é apenas promocional — é reconhecimento de fato. “Bragança sempre foi o lugar. Fiz muitas provas aqui, algumas em outros lugares, mas aqui é o principal polo do Brasil. A gente tem mais eventos aqui de arquearia montada”, comenta com naturalidade. Os números sustentam o argumento. Campeão brasileiro escolhido para representar o país no exterior. Eventos frequentes. Estrutura consolidada. Bragança não é um lugar onde arquearia montada acontece — é o lugar onde a modalidade tem suas raízes mais profundas no Brasil. Uma modalidade acessível — e isso é revolucionário O que torna a arquearia montada significativa não é apenas seu crescimento, mas sua natureza fundamentalmente inclusiva. Diferente de esportes equestres tradicionais, que historicamente exigem investimento financeiro alto, infraestrutura cara e animais de valor exorbitante, a arquearia montada quebra essas barreiras estruturalmente. Você não precisa ter muito dinheiro. Você não precisa ter um cavalo próprio. Você não precisa ter experiência anterior. Crianças de 2 anos competem ao lado de idosos de 70. Quem tem cavalo de raça cara treina com quem usa cavalo comum. A modalidade funciona porque o que se pede do cavalo é simples. O que se pede é do cavaleiro. “Tem muitas raças, idades diferentes. As pessoas também são de todas as idades”, resume Kether sobre quem pratica. Essa inclusão genuína — não apenas no discurso, mas na estrutura — é o que permite que a arquearia montada cresça de forma diferente de outros esportos. Não é privilégio. É oportunidade. Conexão com o cavalo, conexão pessoal Kether menciona algo recorrente em suas falas: conexão. “Hoje a gente tem um trabalho que é empresarial, um trabalho de reabilitação e o esporte. Mas todos esses trabalhos têm a ver com conexão — com a gente mesmo, com o desenvolvimento pessoal. Esse é o cunho principal”, explica. Arquearia montada, para muitos que a praticam, não é apenas esporte competitivo. É uma forma de reconexão — com o animal, com a natureza, consigo mesmo. Isso é estruturalmente diferente de modalidades equestres tradicionais, onde o animal é frequentemente visto como meio para um fim. Na arquearia montada, o respeito mútuo e a harmonia são pré-requisitos. Arquearia montada: o que é, afinal Se você ainda está tentando visualizar: imagine você em um cavalo, em movimento. Seu corpo em equilíbrio perfeito. Seu arco pronto. Um alvo a uma distância específica. Você dispara. A flecha voa enquanto o cavalo continua galopando. Precisão, força, equilíbrio, confiança no animal, confiança em si mesmo — tudo acontecendo simultaneamente. É um esporte exigente. Mas é um esporte que qualquer pessoa pode fazer. O próximo passo: China 2026 Este ano, a China organizou o torneio internacional de arquearia montada. O convite: três atletas de cada país afiliado à federação internacional. O Brasil escolheu seus três melhores. Kether estava entre eles. KetherNina CamargoEduardo OnonChefe de equipe- Rodrigo Trinke “A China tá querendo ficar forte em arquearia montada. A gente pegou os três melhores aqui do Brasil — eu tô dentro deles. E aí a gente vai agora pra China pra representar o Brasil, com tudo pago”, comenta. Pense bem nisso. Um esporte que oferece oportunidade assim — permitindo a um atleta de 53 anos viajar internacionalmente como representante de sua nação, competindo entre os melhores do mundo — enquanto, simultaneamente, permanece acessível a qualquer pessoa que queira aprender. Isso não é coincidência. É a própria natureza da modalidade. O futuro Kether representa o Brasil na China em 2026. Mas sua história é parte de algo maior: o crescimento exponencial de uma modalidade que, há poucos anos, era praticamente desconhecida. A arquearia montada está aqui. Está crescendo. Está sendo levada a sério internacionalmente. E está mudando a forma como pensamos sobre acessibilidade em esportes equestres. Bragança Paulista é central nessa história — não por coincidência, mas porque é um polo consolidado de desenvolvimento técnico e de atletas de qualidade. Kether Arruda é um desses atletas. E em 2026, ele vai levar a arquearia montada montada — e o Brasil — até a China. “Bragança vai estar na China agora! Sensacional! O Brasil, Bragança — fantástico!”, conclui, com o brilho nos olhos de quem sabe que está vivendo um momento especial de sua vida e de sua modalidade. BP News – Informação leve, conteúdo inteligente.Seu portal de cultura, eventos e histórias de Bragança Paulista. 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